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16/1/2006

Alpinismo
João Garcia - Projecto oito mil



João Garcia à conquista da elite

Escalar oito picos acima dos oito mil metros de altitude. É este o objectivo que o alpinista João Garcia se propõe cumprir até ao ano de 2010, segundo o projecto que ontem apresentou em Lisboa.

O primeiro português a atingir o cume do monte Evereste sem o recurso a oxigénio, em 1999, conta com o apoio do banco Millennium bcp na iniciativa "À Conquista dos Picos do Mundo", através da qual pretende organizar um conjunto de expedições que o vão colocar numa elite de 14 alpinistas que já alcançaram o topo das 14 montanhas com mais de oito quilómetros de altitude. João Garcia afirma querer conseguir este feito "sem a ajuda de oxigénio, para não fazer batota".

Esta nova aventura do autor do livro A mais Alta Solidão começa na Primavera de 2006, com a escalada ao Kangchenjunga (8586 m). Segue-se o Shisha Pangma (8046 m), a escalar pela face sul, a mais difícil, o K2 (8611 m), o Makalu (8463 m), o Manaslu (8163 m), o Annapurna (8091 m), o Broad Peak (8047 m) e por último, em 2010, o Nanga Parbat (8125 m). Todas localizadas no continente asiático, na cordilheira dos Himalaias entre a Índia, China, Nepal, Paquistão e Tibete.

Entre as oito montanhas que o alpinista se dispõe a conquistar encontra-se a K2, com 8611 metros e que João Garcia confessa ser "o maior desafio" da sua vida, pelo que "o ano de 2007 vai ser dedicado só a este projecto. É a segunda montanha mais alta do mundo e a mais difícil" de escalar. O alpinista destaca as dificuldades "a nível técnico, mas também devido à altitude, com o ar rarefeito".

Um conjunto de factores que "torna o trabalho mais difícil", até porque João Garcia faz questão de subir a todas as montanhas sem o apoio de oxigénio. "Tenho uma ética e uma filosofia e se comecei a escalar sem oxigénio, não é agora que o vou fazer dessa forma", refere. Quando conseguir a concretização deste objectivo, o alpinista estará dentro de uma outra elite, ainda mais restrita, já que dos 14 que conseguiram subir a todas as montanhas apenas "seis ou sete o fizeram sem oxigénio", revelou.

Quanto à motivação que o leva a perseguir estes cumes, admite tratar-se de "de algo mítico, é um sonho. É um projecto que com meios próprios seria difícil de atingir, devido à dificuldade das montanhas, e agora parte do problema já está resolvido".

No entanto, o melhor pode não estar lá em cima. João Garcia diz que, "por incrível que pareça, lá em cima não tenho felicidade, só quando chego cá abaixo, consciente de que dei o meu melhor", motivado "porque a montanha está lá. Faço- o por mim. Gosto de escalar e é assim que sou feliz".

Para concretizar os seus objectivos, diz que é "fundamental a logística, a preparação física e as condições meteorológicas", a que acrescenta outras três condições "Gosto pelo que se faz, honestidade e trabalho." Depois de ter caminhado para a elite, João Garcia, que tem 38 anos, admite reformar-se do alpinismo aos 45 anos.



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