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voltar para as Notícias 8 Ago 03


2/09/2003

Estágio de Canyoning na Madeira


Porto Moniz.
Porto Moniz acolheu entre 8 e 14 de Junho de 2003, o primeiro estágio de canyoning organizado em Portugal. Os participantes foram unanimes quanto ao sucesso deste estágio e das enormes potencialidades da Madeira para a prática deste desporto.

Participaram cerca de 30 praticantes com uma média de 4 grupos, de 5 a 6 praticantes, por dia. Para além dos 10 participantes do continente, e 15 da Madeira e um dos Açores estiveram presentes dois suíços e dois espanhóis.

Apoios e Patrocínios:
  • Câmara Municipal de Porto Moniz
  • Parque Natural da Madeira
  • Junta de Freguesia do Porto Moniz
  • Junta de Freguesia da Ribeira da Janela
  • Assoc. Bombeiros S.Vicente e Porto Moniz
  • Instituto do Desporto da R.A.M.
  • Instituto da Juventude
  • Protecção Civil
  • Assoc. da Madeira Desportos p/ Todos
  • Hotel Moniz Sol
  • Machados Desporto
  • Viático Tours
  • Clube Cult. e Desp. Porto Moniz
  • Clube Naval do Seixal
  • Residencial Salgueiro
  • Diário de Notícias
  • Jornal da Madeira
  • RDP Antena 3
  • RTP Madeira
As entidades organizadoras, ADA Desnível e Clube Maresia, congratulam-se pela recepção e apoio ao estágio. De facto, este estágio contribuiu de forma significativa para melhorar o conhecimento das potencialidades da Madeira para a prática do canyoning, permitiu aprofundar os conhecimentos técnicos dos participantes, incentivou o convívio da comunidade de praticantes de canyoning em Portugal, contribuiu para a sensibilização ambiental e permitiu efectuar um levantamento de informação relativa aos percursos existentes.

A colaboração de entidades como a Câmara Municipal de Porto Moniz e do Parque Natural da Madeira, entre muitos outros apoios, foi fundamental para o sucesso deste estágio. Um agradecimento especial é devido ao Clube Maresia pelo empenho e profissionalismo demonstrados.

Em termos de actividade, no total foram realizados dez percursos diferentes, tendo sido abertos três novos itinerários e equipados outros quatro.

De regresso depois de um canyoning.

Entrega de lembranças no Jantar de encerramento.

Alguns dos participantes no final do estágio.

Vista sobre o "Véu da Noiva".



Ribeira Funda


Ribeira funda.

Localizada na encosta norte da ilha, a cerca de 6 km a SE de Porto Moniz, esta ribeira proporciona um dos itinerários mais acessíveis e bonitos da Madeira. Uma escadaria permite subir pela encosta até à aldeia da Ribeira Funda em cerca de 30 minutos. A descida, que demora entre 2 a 3 horas, permite descobrir um vale bastante encaixado e de grande beleza. O segundo ressalto, com quase 60 metros, é particularmente imponente. Este canyoning, embora acessível, exige bons conhecimentos técnicos e grande cuidado com a abrasão das cordas e com a queda de pedras. O percurso termina numa bela cascata na costa norte junto à estrada.

Quase todos os participantes do estágio tiveram oportunidade de realizar este canyoning.


Ribeira da Pedra Branca


Ribeira da Pedra Branca.

A apenas 1 km a SE da Ribeira Funda, este canhão com uma bacia vertente reduzida, rivaliza em beleza com o vale da Ribeira Funda.

O acesso, que se inicia na Fajã da Parreira, não é evidente e é relativamente fechado por vegetação.

A maior queda de água, com 55 metros e em forma de tubo, é o ex-libris deste itinerário relativamente acessível e que foi equipado durante o estágio. Faltará apenas equipar a última cascata já que a amarração tem sido feita numa árvore algo duvidosa sendo necessário fazer uma segurança de reforço em redor de um bloco.

A duração média deste percurso é de 3 a 4 horas incluindo o acesso a partir da Fajã.


Ribeira do Lajeado (Rabaçal)


Ribeira do Lajeado.

Com um excelente acesso a partir do cruzamento para o Rabaçal, durante cerca de 3 km por uma vereda que leva directamente à Ribeira, este itinerário desenvolve-se numa sucessão de piscinas de água cristalina e de ressaltos, transponíveis por salto ou rapel, até a uma espectacular cascata com 75 metros sobranceira à Lagoa do Vento. Durante o estágio a emoção provocada pela verticalidade foi intensificada pelos danos evidentes nas cordas. Em consequência, duas equipas foram forçadas a interromper a descida antes da cascata de maior extensão com que termina este percurso.

Este incidente contribuiu para confirmar o que já vinha sendo dito pelos responsáveis do estágio relativamente aos riscos adicionais do canyoning em ambientes com rochas basálticas onde a abrasão pode levar à rotura das cordas. Os cuidados dos participantes posteriormente a este incidente, na colocação das cordas e na execução dos rapeis, permitiu evitar novas ocorrências deste tipo.


Ribeira do Alecrim

Muito perto, a partir da estrada para o Rabaçal, encontra-se esta ribeira que se sabia estar já equipada.

Depois de diversas tentativas infrutíferas para encontrar o acesso para a Ribeira da Água Negra (25 Fontes), uma das equipas decidiu descer a Ribeira do Alecrim. No entanto, verificaram que alguém terá retirado diversas plaquetas deste percurso, tendo este lamentável incidente sido ultrapassado porque a equipa cumpriu as normas de segurança e levava consigo um kit de equipamento que se tornou assim indispensável.

Este itinerário, geralmente com pouca ou nenhuma água, tem muitas escapatórias e ressaltos, sendo os dois maiores de cerca de 25 metros.


Ribeira do Seixal


Ribeira do Seixal.

Este percurso localiza-se entre a levada do Seixal e o Chão da Ribeira. Quatro grupos (cerca de 24 praticantes) realizaram este itinerário que já se encontrava equipado.

Este canyoning de grande beleza, num vale muito encaixado, desenvolve-se em plena floresta Laurissilva.

É de realçar a qualidade e abundância de água, a par com a beleza da paisagem.

A saída é pela levada na margem esquerda. Há ainda a possibilidade de subir por uma vereda até ao inicio do canyoning, mas só deve ser feito por conhecedores!

A descida desta ribeira é restrita devido a uma riqueza ambiental impar e por se localizar em pleno Parque Natural da Madeira.


Ribeira Seca ou do Paúl


Ribeira Seca.

O início deste percurso é feito a partir da vereda que desce do hotel dos Prazeres para o Paúl do Mar e que termina na praia.

Este é um itinerário de dificuldade elevada e com equipamento relativamente desadequado.

Durante o estágio foi realizado por duas equipas de 5 praticantes cada. Infelizmente, nesta época do ano, a água apresenta-se relativamente poluída e com baixo caudal pelo que estas equipas encontraram uma situação pouco agradável.

Percurso muito imponente, com duas cascatas de aproximadamente 100 metros e uma de 50 metros, termina directamente na praia. A vereda atravessa a ribeira antes dos dois últimos ressaltos.


Ribeira dos Moinhos


Ribeira dos Moinhos.

Localizada próximo da Ponta do Pargo, esta ribeira foi uma das grandes descobertas durante o estágio. A abertura foi realizada por uma equipa de seis pessoas. Após uma aproximação de cerca de 30 minutos a partir da estrada, o primeiro obstáculo é uma cascata com cerca de 140 metros, que foi equipada com dois fraccionamentos. A ribeira termina na praia de calhau e o percurso de regresso só é possível se a maré não estiver cheia e o mar relativamente calmo.

O regresso é feito por uma vereda quase imperceptível e vertiginosa, com cerca de 400 metros de desnível, e que liga a Fajã Nova à aldeia de Lombada Velha. Alternativamente pode continuar-se até à Quebrada Nova e apanhar o teleférico (atenção às horas pois a marcha é longa).

Como nota negativa é de referir a má qualidade da água e a existência de algum lixo.


Ribeira do Tristão


Ribeira do Tristão.

O Homem é capaz do melhor e do pior e no Tristão o que fez é uma tristeza! Durante anos esta ribeira foi utilizada como vazadouro de lixo municipal e as marcas deixadas estão espalhadas ao longo de todo o seu percurso até à foz. Já tínhamos conhecimento desta situação, mas desta vez, numa tentativa de descobrir um outro percurso, uma equipa acabou por entrar num dos afluentes e abrir e equipar este itinerário.

A imponência geológica e uma floresta Laurissilva bem conservada são grandes atractivos, mas o desalento resultante das marcas sucessivas presentes ao longo da ribeira do crime ambiental perpetrado por muitos anos impede que se usufrua condignamente da riqueza deste vale. Serve de alerta e de motivação para um potencial projecto de recuperação futuro a desenvolver com as parcerias apropriadas. Ficou a promessa, nossa e de alguns responsáveis de organismos regionais e locais de desencadear acções para corrigir o mal feito.


Ribeira da Cruz


Ribeira da Cruz.

Situada na vertente NW da ilha, esta ribeira formou um dos principais vales desta encosta mas, paradoxalmente encontra-se quase seca durante o período estival.

O percurso inicia-se na ponte da estrada que liga o Porto Moniz à Ponta do Pargo (km 112,5), aos 730 metros de altitude e termina no mar.

Devido à sua extensão, há que contar com um dia preenchido ( 6 a 7 horas, em média) e 16 rapeis, sendo o maior de 70 metros.

O equipamento é insuficiente já que muitos dos pontos tem só uma ancoragem.

Há também a lamentar a existência de algum lixo ao longo da ribeira, que vai sendo atirado da ponte no inicio do percurso. O regresso aconselhado é seguir a costa pelo calhau até à Quebrada Nova (45 min) e subir no teleférico (atenção às horas de funcionamento!).


Ribeira da Vaca


Ribeira da Vaca.

Este canyoning é um Verdadeiro monumento à verticalidade! Localizada a SW da Lombada Velha (Ponta do Pargo), esta ribeira salta dos 350 metros de altitude para o calhau (praia) em apenas dois ressaltos. Vertiginoso? Não, o primeiro ressalto tem 225 metros!

Foi o fecho do estágio com chave de ouro, por uma equipa que abriu e equipou este itinerário: Francisco Silva, Paulo Alves, Maria do Céu Almeida, Pedro Pacheco, Palhete e Jorge Câmara.

A primeira cascata tem três troços (55 m + 90 m + 80 m) e a segunda cascata tem 80 metros. A saída é pela vereda Fajã Nova - Lombada Velha ou pelo calhau costeiro até ao teleférico da Quebrada Nova (contar com 1h30 de marcha, no mínimo).


No final do estágio ficámos com o desejo de regressar, em grande parte devido à forma como fomos acolhidos e ao enorme potencial desta ilha para a prática de canyoning.

Um até breve e grandes aventuras.

Francisco Silva

Fotografia: Francisco Silva e Maria do Céu Almeida.



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