Editorial
8/07/2005
As Ribeiras da Madeira
Tem cabido ao Presidente da Associação a escrita dos Editoriais. Mas, há já algum tempo, lançou ele o repto de outros o fazerem de vez em quando, para variar de voz e o aliviar de mais uma tarefa.
Eis, assim, que escrevo umas palavras sobre uma das últimas actividades da associação (em que participei). Decorreu de 9 a 13 de Junho, o 2º estágio de Canyoning(*) na Ilha da Madeira, aberto a praticantes capazes de progredir em autonomia. O estágio - na realidade um Encontro - foi organizado pela Desnível e pelo Clube Maresia.
Antes do mais, e crendo fazê-lo em nome de todos aqueles que participaram, um muito obrigado aos Organizadores (F.Silva, D.Silva, M.C.Almeida e M.Silva) pelo seu envolvimento, altruísmo e disponibilidade, que conduziram a um excelente resultado final. Uma segunda palavra de apreço aos patrocinadores, sem os quais este estágio teria tido outros custos muito mais onerosos.
À chegada ao aeroporto do Funchal fomos logo "apaparicados" pelo Miguel Gouveia, Duarte e Mário, que nos vieram buscar em carrinhas alugadas, ou próprias. Levaram-nos ao Hotel EuroMoniz e à Casa da Ribeira, onde nos alojámos. No dia seguinte, teve início o canyoning com participantes da Desnível, Clube Maresia, Parque Natural da Madeira, Bombeiros Municipais do Funchal, entre outros, no total de 39. Em cada dia, eram formados grupos heterogéneos com 5 a 7 pessoas, sendo definidos também os líderes. No briefing matinal (9hr), os grupos organizavam o seu material e transporte para as "ribeiras" (sim!... não descemos "rios"), e lá partiam logo que prontos. Esta distribuição dos desportistas possibilitou uma maior troca de experiências, pois não nos limitámos a fazer canyonings só com os amigos comuns!
As ribeiras escolhidas foram a do Lajeado, da Pedra Branca, do Alecrim, da Laje (esq. e dir.), do Passo, do Seixal, João Delgado (troço inferior, ou do "véu da noiva") e Rib.º Bonito. Todos fizeram somente uma parte desta lista, ficando as outras para mais aventuras!
Saltando ao balanço final, saliento a nota mais positiva de não ter havido nenhum (a/in)cidente, exceptuando-se uma ligeiríssima entorse e picadas de insecto. Saliente-se também a boa camaradagem vivida naqueles dias, troca de experiências e umas paisagens paradisíacas (destacando-se a Rib.ª do Seixal, de João Delgado e o Rib.º Bonito). Abriram-se ainda 2 canyons (um deles por engano!, em vez da Rib.ª da Laje esquerda). Pela negativa, refira-se o lixo encontrado na Rib.ª do Lajeado, o corte de 3 cordas (mas sempre identificados atempadamente), a ligeira leviandade de alguns participantes quanto à necessidade de se levar todo o EPI (equipamento de protecção individual), e ? o constante "capacete" nebuloso naqueles dias! No dia de regresso, estava céu azul !...
Finalmente, chamo a atenção para o próximo estágio fora do "rectângulo", a realizar-se em Setembro em S. Miguel - promete!....
Francisco Sancho
(sócio n.º 16)
(*) Perdoem a utilização exagerada do termo anglo-saxónico canyoning, mas é o mais corrente em Portugal. Alternativamente, poder-se-ia considerar "descida de barrancos" ou de "gargantas", ou ainda descida de "canhões".
