Editorial
06/06/2001
Sorte, azar e prudência
Entre os acontecimentos mais recentes que noticiámos temos a celebrar o sucesso de Gonçalo Velez no Makalu e o de João Garcia no McKinley. Mas também referimos as congelações que sofreu um dos mais notórios alpinistas da actualidade, Michel Daudet, e o acidente trágico em Ordesa, que envolveu dois anónimos e jovens montanhistas valencianos.
Num caso falámos em "sorte" com o bom tempo, para o alpinista famoso e para os montanhistas desconhecidos podemos falar em "azar". Num caso e noutro nunca podemos, porém, entregar o sucedido ao destino. Nem esquecer de invocar a prudência.
Para Daudet, o risco aumenta na proporção directa da ambição das suas empresas, mas para qualquer montanhista há uma dose de risco, um compromisso. Para os montanhistas portugueses, o acidente em Ordesa constitui um aviso para a seriedade dos riscos envolvidos no montanhismo, e a perigosidade potencial das montanhas, mesmo quando são "baixas" e estamos "quase no Verão".
Importa respeitar todos os procedimentos e garantir que, se um acidente acontecer, seja mesmo por azar. A Desnível é especialmente atenta a esta questão e tem apostado na formação montanhista dos seus associados, porque muito mais vale prevenir. Mas porque também há que estar pronto a remediar, alguns elementos da associação foram a adquirir formação em resgate na Escola Espanhola de Alta Montanha. Mais um passo no desenvolvimento desta preocupação fundamental da nossa associação.
David Silva e Sousa
dss@adesnivel.pt
