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Editorial
11/09/2001

Este é um Verão que os montanhistas portugueses não deverão esquecer. Aprenderam, da pior maneira, que é possível perder a vida escalando num belo dia de sol, ou numa "simples" caminhada, nas proximidades de um refúgio.

De certa forma, é uma inevitabilidade estatística. Avolumam-se os montanhistas, num país que desperta tarde para a modalidade, aumenta o número dos que se expõem ao risco potencial da montanha.

Porque estar em montanha é sempre, em maior ou menor grau, estar exposto. Por isso é tão importante dominar as técnicas para reagir às diferentes situações - e daí a forte aposta da Desnível na formação. Nos acidentes dos Picos de Europa, contudo, parece ter sido mais o puro e simples azar que qualquer falha.

O clima das montanhas é sempre traiçoeiro, e principalmente nestas das Astúrias. Mas não podemos guardar-lhes rancor. Se não há montanhas inocentes, também não há montanhas malditas. Há apenas as belas e perigosas, ambíguas e fascinantes, irresistíveis montanhas.

David Silva e Sousa
dss@adesnivel.pt

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