Canyoning
Graduaçãopor Francisco Silva
com base em documento da FFMEA classificação dos canyonings ainda é um assunto bastante discutido e pouco consensual. Estes podem ser classificados com base no seu interesse, dificuldade técnica "vertical" e aquática, exposição, continuidade, riqueza e sensibilidade do meio ambiente.
Como o canyoning é praticado em espaços naturais frequentemente de difícil acesso e progressão, desenrola-se num ambiente misto: montanha / água, e requer conhecimentos técnicos associados à progressão com recurso a manobras de cordas, caminhada, escalada e progressão no meio aquático incluindo águas bravas, torna-se necessário adoptar um sistema de graduação dos canyonings com varias variáveis.
Adicionalmente, as condições de descida de um canyoning podem variar bastante, especialmente devido às condições do meio e, principalmente, com a variação do caudal.
Os principais factores que contribuem para a dificuldade e segurança da prática de um canyoning são:
- Equipamento do canyoning (equipado, parcialmente equipado, não equipado)
- Extensão, incluindo o acesso e regresso
- Dificuldade técnica associada à transposição dos obstáculos e progressão no rio
- Caudal e movimentos de água
- Morfologia
- Exposição - queda de pedras, cheias provocadas por descargas, etc.
- Escapatórias
- Facilidade em sair de zona de cheia
- Tempo de permanência em contacto com a água
- Temperatura da água e do meio ambiente
- Facilidade de comunicação e resgate
- Informação disponível
- Factores humanos - conhecimentos, dimensão dos grupos, etc.
Para além da classificação associada à dificuldade, os canyonings podem ser classificados tendo em conta a exposição e extensão e o seu interesse.
Classificação dos canyonings
Os canyonings podem ser classificados tendo em conta diversos factores. Para além da classificação associada à dificuldade, os canyonings podem ser classificados em relação à exposição e extensão e ao seu interesse.
A classificação aqui apresentada tem como base o documento realizado pela Federação Francesa de Montanha e de Escalada (FFME), com apoio da Federação Francesa de Espeleologia (FFS) em conjugação com o Sindicato Nacional de Guias de Montanha (SNGM), o Sindicato Nacional de Profissionais de Escalada e de canyoning (SNAPEC), o Sindicato nacional de profissionais de espeleologia e de canyoning (SNPSC) e a Federação de Clubes Alpinos Franceses (FCAF).
Estas normas foram adoptadas pelo comité director em 27/09/2003.
Ver documento original em francês (pdf. 198 kb.)
Classificação do grau de interesse dos canyonings
O interesse de um canyoning é relativamente subjectivo, no entanto é possível, com alguma aproximação, classificar esse interesse tendo em conta a riqueza e beleza natural, o interesse técnico e desportivo e a componente lúdica.
Assim consideram-se quatro níveis:
* Pouco interessante ** Interessante *** Muito interessante **** Excepcional
Grau de dificuldade dos canyonings
Embora ainda não exista um sistema de graduação de dificuldade para o canyoning que seja unânime, justificado por ser um desporto relativamente recente e pela dificuldade variar muito consoante o caudal, apresenta-se aqui uma proposta de graduação elaborada a partir de trabalhos desenvolvidos pelas principais entidades do sector tais como a Federação Francesa de Montanha e Escalada e a Escola Francesa de Descida de Canyonings.
O sistema de graduação apresentado refere-se às condições normais dos canyonings (débitos relativamente baixos) e nos períodos mais propícios para a sua descida. Um canyoning fácil, em determinadas situações (por exemplo em cheia ou em condições meteorológicas adversas), torna-se bastante perigoso, ou mesmo impraticável.
Pressupõem-se igualmente que os praticantes apresentam conhecimentos adequados às exigências técnicas da descida, apresentam boa condição física e utilizam equipamento adequado.
Por sua vez, a graduação pressupõe a utilização das técnicas adequadas mais comuns. Por exemplo, pode-se recorrer ao rapel guiado para a maior parte do grupo efectuar a descida e assim diminuir a dificuldade da passagem.
A cotação atribuída a um rio é definida pela O critério mais elevado na escala de dificuldade será o que condiciona a categoria de dificuldade.
A parte psicológica associada à exposição, verticalidade, etc, não é tida em conta nesta proposta de graduação.
A exposição a perigos objectivos, associados à fragmentação da rocha, dificuldade em gerir roçamentos ou à possibilidade de abrigo de queda de pedras, não está suficientemente explorada na proposta de classificação francesa que serviu de base a esta classificação, pelo que foram introduzidas estas variáveis nos graus de dificuldade mais elevados. A dificuldade associada aos saltos só é considerada quando estes são obrigatórios.
Este sistema de cotação apresenta-se dividido em dois indicadores do nível de dificuldade:
- Cotação técnica vertical - V (vertical)
- Cotação aquática - a (aquática)
Cada um deles está dividido em sete classes de dificuldade - 1 a 7, estando o limite superior em aberto.
| Dificuldade | Cotação técnica vertical - v | Cotação aquática - a | |
| 1 | Muito Fácil | Não é necessário corda nem escalada ou destrepe. | Sem água ou água calma, Natação facultativa |
| 2 | Fácil | Rapeis fáceis inferiores a 10m. Escalada/destrepe fácil. | Água calma, saltos inferiores a 3 m, natação até 10 m. |
| 3 | Pouco difícil | Rapeis: em débitos baixos; acesso fácil; de 10 a 30 m. caminhada em terreno delicado e escorregadio. Corrimões simples; passagens de escalada ou destrepe até III+. |
Corrente fraca, saltos inferiores a 5 m, natação até 30 m. |
| 4 | Médio (Assez difficile) |
Rapeis: em débitos médios; com acesso difícil; de 30 m a 60 m; fim do rapel não visível a partir do topo; fraccionamentos em plataformas confortáveis; recepção em piscina sem pé. Necessidade de gerir roçamentos. Corrimões delicados; passagens de escalada ou destrepe até IV+ ou A0. | Corrente média, saltos de execução simples até 8 m e delicada até 5m, necessidade de estar muito tempo em contacto com a água. Transposição de sifão simples Águas calmas e menos de 1 metro. Tobogans grandes ou bastante inclinados. |
| 5 | Difícil | Rapel em cascata com débito médio a forte. Rapeis delicados superiores a 60 m ou fraccionados em ambiente aéreo. Recuperação de corda difícil. Passagem de escalada ou destrepe até 5c/A1. |
Imersão prolongada em água fria. Progressão em corrente relativamente forte. Movimentos de água delicados. Saltos de execução delicada de 5 a 8 metros ou execução simples de 8 a 10 metros. Sifões, movimentos de água, tobogãs que requerem cuidados especiais. |
| 6 | Muito difícil | Rapel muito delicado em cascata com débito forte a muito forte. Fim do rapel em piscina com movimentos de água delicados. Instalação ou transposição de reuniões, desvios ou fraccionamentos em situações muito delicadas (pêndulos, suspensos, colocação de ancoragens difíceis, etc.) Passagem de escalada/destrepe exposta até 6a/A2. Dificuldade em gerir roçamentos perigosos. Rapeis expostos a queda de pedras. |
Progressão em corrente forte com movimentos de água muito delicados. Perigo de ficar bloqueado em situação delicada pelos movimentos de água. Saltos de execução delicada de 8 a 10 metros ou execução simples de 10 a 14 metros. Transposição de sifão delicado. |
| 7 | Extremamente difícil | Rapel em cascata com débito extremamente forte. Fim do rapel em piscina com movimentos de água muito perigosos. Passagens prolongadas em apneia. Passagem de escalada ou destrepe exposta superior 6a/A2. Reuniões suspensas em zonas com forte caudal ou muito expostas a queda de pedras. |
Progressão em corrente muito forte com movimentos de água bastante violentos. Perigo de ficar bloqueado e imerso pelos movimentos de água. Saltos de execução delicada com mais de 10 metros ou execução simples superior a 14 metros. Transposição de sifão técnico e muito delicado, sem visibilidade. |
Classificação do grau de exposição / Continuidade dos canyonings
O grau de exposição/continuidade dos canyonings depende essencialmente do tempo de percurso, possibilidade de escapatórias, facilidade de acesso, características da rocha (degradação, arestas, etc.) e facilidade em sair da zona de escoamento em caso de cheia.
A graduação e tempo necessário que se apresenta, pressupõe um grupo de cinco pessoas que é a primeira vez que fazem o percurso, mas dispõem de informação sobre a descida e o canyoning encontra-se devidamente equipado.
São considerados seis níveis de exposição / continuidade:
| Nível de exposição/continuidade |
I | II | III | IV | V | VI |
| Tempo máximo para sair de zona de cheia | 0 min | 15 min | 30 min | 1 h | 2 h | > 2 h |
| Tempo de acesso a uma escapatória | 0 min | 30 min | 1 h | 2 h | 4 h | > 4 h |
| Tempo de percurso (aproximação, descida e regresso) | 2 h | 2 a 4 h | 4 a 8 h | 8 h a 1 dia |
2 dias | > 2 dias |
Em sintese podemos graduar os canyonings segundo quatro tipos de classificação:Pode ser igualmente útil caracterizar a dificuldade de acesso e saída.
- Beleza / Interesse (* a ****)
- Exposição/continuidade (I a IV)
- Dificuldade técnica vertical (v1 a v7)
- Dificuldade aquática (a1 a a7)
Exemplos:
- Rio de Frades Inferior: *** II v3 a2
- Rio Poio: **** IV v5 a3
- Ribeira do Cão (Flores): *** IV v6 a4
