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voltar para o Canyoning 25 Jun 04


Curso de Iniciação ao Canyoning (Nível 1)
Maio 2004

por Paulo Alves
Rio Vessadas

Este curso desenrolou-se em Maio 2004, na sequência dos anos anteriores, mas com características diferentes, quer na programação de base, quer na forma como decorreu.

Assumindo-se agora totalmente como de iniciação incluiu, além da habitual aula teórica, uma sessão prática em falésia, face ao Atlântico (parede do Mexilhoeiro, na zona da Boca do Inferno - Farol da Guia), onde se assegurou a aprendizagem de nós básicos e da descida em rapel e ainda, consoante a experiência dos formandos, outras técnicas como o rapel guiado, simulação de rapel fracionado, rapel com nó dinâmico, utilização do nó valdotain e ainda bloqueio do "oito".

Rio Vessadas
Desde o início que ficou patente, como característica particular deste grupo de 13 formandos, uma assinalável diferença de nível técnico e de experiência entre eles, quer com pessoas que praticamente desconheciam o rapel, quer com outros que, ou já tinham descido diversos percursos, ou que tinham até frequentado com sucesso o curso de aperfeiçoamento em 2003. Estes últimos, inclusivé, prestaram um apoio apreciável aos restantes colegas e executaram manobras mais avançadas, colaborando com os formadores.

A meteorologia não esteve "no seu melhor", com agravamento súbito mas previsível durante as tardes no rio, permitindo no entanto em ambos os dias um conforto inicial de sol e calor, para aceder ao rio e para descer a primeira metade de cada troço; conforto ainda porque não choveu ao montar os acampamentos e durante a noite.

Rio Teixeira
Esse agravamento incluiu trovoada forte e chuva intensa, ambas de curta duração; se não é aconselhável estar no rio durante a trovoada, a chuva por si só não representava risco de aumento significativo do caudal, dadas as características actuais do solo e da bacia hidrográfica. Mas o piso, com todas as rochas molhadas e numa fase em que o cansaço era grande, facilitou muitas quedas, já que os iniciados não têm calçado especial de canyonning, mais aderente; houve mesmo uma pessoa que se lesionou de forma a não poder participar no segundo dia de prática no rio.

O Rio Vessadas permitiu logo no início uma boa iniciação ao rapel de canyon, com duas opções paralelas de descida e que quase todos fizeram (subindo pela encosta para repetir). Seguiram-se cerca de 8 rapéis, diluidos ao longo do percurso com maior desnível que terminou na primeira ponte da estrada. Seguiu-se o troço até às proximidades de Manhouce, menos agradável devido ao cansaço dos participantes. É um rio bonito e nesta data ainda com caudal suficiente para ser agradável de descer, embora cansativo e longo se feito na totalidade e sem pressas (7 horas).

Rio Teixeira
O Rio Teixeira é um dos rios mais lúdicos do país e a sua descida, mais estética e menos cansativa que a do Vessadas, foi um prazer para todos, com piscinas bonitas, água transparente bem iluminada pelo sol e cascatas com o caudal ideal. Foram 5 horas de progressão calma, incluindo rapéis com 25, 38 e 15 metros, e várias lagoas permitindo saltos que a maioria das pessoas praticou e gostou, habituando-se às "alturas" de forma gradual e não se perturbando com a trovoada da tarde e com um curto e violento aguaceiro que a acompanhou.

Participaram neste curso: André de Sousa, Bruno Sebastião, Carlos Tamulonis, Joana Gomes, Joana Prates, João Luis, José Serra, Luis Ribeiro, Luis Silva, Marina Menezes, Miguel Cameira, Nuno Araújo, Tiago Bernardino. Como formadores, Paulo Alves, Francisco Sancho e Cristina Lourenço. Fotografias de Carlos Tamulonis.

Comentários

Como resumo final, cada formando fez 4 ou 5 rapéis no primeiro contacto, em Cascais, e cerca de 10 no fim de semana de 22-23 de Maio, distribuídos pelos 2 rios (aqui com um total de cerca de 180 metros de rapel). Os rapéis foram feitos recorrendo a ancoragens existentes e, noutros casos, a amarrações em árvores, pitons, entaladores e friends. Os perigos que os relâmpagos constituem quando ocorrem trovoadas bem como os cuidados a ter durante a sua ocorrência, foram apresentados na manhã do último dia, já que o assunto vinha a propósito dada a meteorologia desse fim de semana.


E para finalizar ...

Um pouco de Geologia

A EROSÃO causada pelo rio durante o inverno continua a escavar profundamente a zona do último rapel e piscina. Este fenómeno começou no inverno de 2000, já que em 2002 esse rapel passou a ser menos vertical, incluindo ressaltos intermédios e com a plataforma de montante gradualmente mais escavada. Actualmente a cascata desenvolve-se em rocha xistenta e com menos intercalações de quartzo, apresentando assim ainda maior susceptibilidade à erosão.

Em nossa opinião, este grande aumento da erosão está intrinsecamente ligado à construção e exploração da mini-hídrica. O desmonte de rocha associado às obras de escavação em 1996-97 da plataforma e túnel para o canal de adução, incluiu a queda de grande volume de blocos da margem esquerda para o troço subjacente de rio.

Esse enrocamento de blocos no leito do rio foi depois transportado em períodos de maior caudal e a sua acção erosiva foi particularmente intensa no troço xistento com cerca de 300 m de extensão que termina na cascata destas fotos. As piscinas que antecedem a cascata também têm sofrido modificações bem visíveis, mas é aqui, nesta cascata, que o efeito é mais visível. Em poucos anos será substituída por um troço predominantemente em rampa.

A foto da esquerda é de 1997 (ano da abertura deste percurso de canyon; foto P.Alves) e a foto da direita foi obtida a 23-05-2004. Está bem visível a redução de verticalidade da cascata, os diversos ressaltos que se formaram nos últimos 3 anos e ainda a destruição da enorme pedra de granito que até ao ano 2000 estava na base da cascata.

  
(foto: Paulo Alves)   (foto: Carlos Tamulonis)


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  • Página do curso de Iniciação ao Canyoning (Maio 2004)


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