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voltar para Actividades em 2004 17 Nov 04


Palestra
Expedição ao Pamir


ESHTE - 14 de Dezembro de 2004, às 21h30
Organização: ADA-Desnível com apoio da ESHTE
Entrada livre.

Paulo Roxo e Daniela Teixeira

Lá para os lados dos Himalaias (um bocadinho antes), no meio de uma mão cheia de montanhas chamadas Pamir, existem dois "picachos" com mais de sete quilómetros de altitude. De seu nome Communism (7.495 mts) e Korjenevskaya (7.105 mts).

A Daniela Teixeira e "Moi meme", em vez de escolher umas tranquilas férias de praia como faria uma qualquer pessoa normal, decidimos ir para o meio das montanhas, do frio e do perigo... só pra curtir! Metemos na cabeça que queríamos escalar o Comunismo sem, no entanto, render "pleitesia" ao Lenine.

Enfim, disfarçados de alpinistas lá fomos até ao outro lado do mundo, onde conhecemos outras gentes, também elas disfarçadas de alpinistas.

Para cumprir a aborrecidíssima tarefa de adaptação às alturas (porque aquilo é alto), andámos uns dias para cima e para baixo, nos flancos do Korjeneskaya (Korj. para os amigos) que, de facto é uma ela, pois essa palavra tão esquisita é o nome da esposa do primeiro gajo que ali subiu. Resta dizer que mais vale dar o nome da mulher do que de um político...

Um belo dia pensámos que éramos os maiores, porque até conseguíamos cumprir os horários estabelecidos sem arfar demasiado e, resolvemos atacar o cume a partir dos 5.800 metros (Campo 2). Verdade seja dita, que fomos enganados, quais patos inocentes- por uns "galifões" que nos tinham dito que haviam subido desde o último campo (Campo 3, 6.400 m) ao cimo, em tão somente 4 horinhas. Com a informação obtida, fizemos umas continhas e concluímos que seriamos capazes de escalar (andar) durante umas 9 horas e não morrer de cansaço durante a descida.

Pic Korjenevskaya
Lá fomos contentes e seguros, aos pulinhos por ali acima, cruzando glaciares e arestas ventosas convencidos que o (a) Korj. estava no papo. Só aos 6.900m é que nos apercebemos que os "galifões" eram mesmo "galifões" (aparte de mentirosos) e que, subir ao topo desta besta custaria bem mais do que as alegres 4 horas desde o C3. E então descemos, a chorar e a espumar de raiva por termos sido tão "tótós".

Três dias depois, retomámos a novela. Desta vez decididos a conquistar o coração da senhora Korjenevskaya. E, com a decisão de voltar à mesma montanha dissemos adeus ao Sr. Comunismo, porque o tempo, caso ainda não saibam, é bastante fugidio. Falando em tempo, tempo de temporal, ou tempo de bom tempo, a sorte acompanhou-nos e foi o tempo de bom tempo que decidiu juntar-se a nós.

De novo aos pulinhos (para quem não acredita nesta história dos pulinhos, eu depois mostro as imagens de vídeo), fomos por ali acima e em dois esplendidos dias e mais meio dia esplendidíssimo, coroámos (esta palavra é tão gira - faz lembrar a monarquia, não é?) a KORJENEVSKAYA. CHEGÁMOS AOS 7.105 METROS DE ALTITUDE SOBRE O NÍVEL DO MAR! Não é glorioso? No entanto, a imagem que não se me escapa da retina é a da Daniela a percorrer os últimos 100 metros em passo ultra-rápido, a virar-se para trás e a dizer-me: Buga! E, a continuar em passo de corrida até ao cimo (também isto está nas imagens de vídeo, para que não pensem que estou a inventar). Pensei: eu julgava que estávamos acima dos sete mil, na tão famosa "zona da morte"?! Pois é, caras amigas e amigos parece que no "tuga country" nasceu uma nova promessa do alpinismo Lusitano (vá, não pensem no fim-de-semana...). E, só aqui entre nós, o facto de ser uma rapariga ainda mais me agrada. E NÃO É PELA RAZÃO QUE ESTÃO TODOS A PENSAR, SEUS MACHISTAS!

EPILOGO: A arfar que nem um cavalo lá consegui chegar à mais alta pontinha de neve da tão desejada montanha. E que bela vista! The End

Gostaria de agradecer à Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal por nos ter patrocinado, cobrindo grande parte do "guito" necessário para realizar a expedição. Agradeço à Vidal & Freitas (em especial ao simpático To Mané) por nos ter protegido do frio com o equipamento da Vango, Lorpen, Buff e Force Ten. Um obrigado ao Ginásio Clube Português por ter dado a possibilidade à Daniela de correr até ao cume. E obrigado também, à editora Campo Base por ter posto a publico os escritos que, de quando em quando enviámos desde as montanhas.

Paulo Roxo
Relato da Expedição ao Pamir, Agosto de 2004



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